domingo, 5 de dezembro de 2010

E Agora, José???


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?
(...)

Pobre José, colocado contra a parede por seu criador, o genial Carlos Drummond de Andrade!!! Mas, será que só o José é posto em xeque, ou, será que também nós não o somos, ainda que sem perceber??? Será que somente ele é instigado a tomar certas decisões, ou também nós, ainda que instintivamente, tenhamos de decidir o que fazer, como agir, o que pensar???

Mais uma vez, vimos um ano, um ciclo, passar diante de nossos olhos... Um ciclo? Isso mesmo, um ciclo! Não falo aqui de ciclo astral, ou nada que o valha, mas, muito pelo contrário, de algo muito mais simples e corriqueiro, algo pelo que já passamos e ainda passaremos, mas, talvez, sem nos dar conta.

Ontem mesmo, me lembro bem, estava dente os meus, em casa, mas, dentre os meus... Como em todos os anos praticamente, estávamos em casa, na sala, tentando encontrar na tv algo aprazível aos olhos e à mente, mas, sem tirar os olhos do relógio. Como a programação televisiva não colaborava muito, os olhares aos ponteiros instáveis eram ainda mais constantes.

Após repetidas investidas contra os marcadores do relógio da sala, havia chegado a hora, a hora de irmos para o quintal, ouvir e ver os fogos eclodirem nos ceús: eram 23:15 horas do dia 31 de dezembro!!!

Como em muitos, pensamentos mil vieram à mente. Coisas passadas, presentes, sonhos, planos, mas, o principal deles: “o que será que este novo ano nos reserva?”

Após alguns minutos de olhares atentos para o manto negro que cobria nossas cabeças, iluminado pelo brilho incandescente dos artefatos explosivos, após o estourar da champagne e do brinde, ainda que solitário, tudo se acalmara e era hora de nos recolher.

Pois bem... No dia seguinte, ao acordar, logo me dei conta: Janeiro havia começado e, com ele, o primeiro dia do ano nascente, um dia repleto de esperanças naquilo que estaria por vir, nos sonhos, nos desejos, nos objetivos para os doze seguintes meses...

A vida voltara ao normal: dia 02, hora de voltar ao trabalho e aquele sentimento de esperança ainda pairava no ar, um sentimento bom, um sentimento de que algo iria acontecer.

Mas, o tempo, senhor de seu caminhar que é, tratou de se apressar... Logo, já era fevereiro, seguido por março, abril, maio e junho. Isso mesmo: JUNHO!!! Metade do ano já havia chegado e ainda parecia ouvir os fogos de artifício tomando o céu com seus brilhos cintilantes e sons estrondosos!!!

Os meses pareciam, esses sim, determinados a algo: a se sucederem com extrema voracidade! Adveio na sequência julho, agosto, setembro, outubro e novembro... Sim, NOVEMBRO!!! Relutei em aceitar, mas, o calendário insistia em sua posição: estávamos em novembro!!!

Após um choque por ver em que ponto do ano já estávamos, lembrei-me de uma coisa, algo que, para mim, tinha-me vindo à mente semana ou mês passado, mas, que já havia ocorrido há mais tempo: faltava, novamente, um mês para o Natal!!! Parecia algo surreal: novamente, as lojas  estavam lá, todas enfeitadas e com os já tradicionais artefatos natalinos! É, acreditar não podia, a mente a isso refugia, mas, era verdade: novamente, o Natal se aproximava!!!

Mas, da mesma forma que os antecessores, novembro também não tardou a se esvair, jogando em nossos colos, ou melhor, nos jogando no colo do último mês do ano, um ano, ainda ontem, acabara de irradiar seus primeiros raios de luz, seus primeiros sussurros de vida...

Agora, da mesma forma que a criação do grande Drummond de Andrade, somos convocados à uma decisão: e agora, o que fazer??? Festejar esta época do ano, um período de muita união entre as famílias, comemorações, ou, nos lembrar daquilo que passamos, dos bons e dos maus momentos? Fazer novos planos para o ano que, em questão de dias, desabrochará, como um botão de rosa, ou, simplesmente, pensar em como foram os últimos 365 dias e naquilo que erramos? Trazer ao nosso pensar tudo aquilo que não fizemos e tudo aquilo que aconteceu, ainda que contra nossa vontade ou esquecer o passado e nos concentrar no presente???

E AGORA, JOSÉ?

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